sexta-feira, 12 de maio de 2017

Apendicite

APENDICITE



Fisiopatologia da Apendicite:

  O apêndice vermiforme é um grande divertículo que se origina do ceco, medindo aproximadamente 10 cm e localiza-se cerca de 3 cm abaixo da válvula íleo cecal. Em corte transversal, tem o aspecto de um tubo com uma luz central. 
Grande parte de sua parede é tomada por tecido linfóide, sob forma de tecido linfóide difuso e nódulos linfóides.

  Apesar de possuir uma base fixa, o restante do órgão é livre, podendo ocupar várias regiões da cavidade abdominal, inclusive a fossa ilíaca. Essa grande variação de posicionamento é de ampla importância clínica. Embora possua estrutura histológica semelhante ao intestino grosso, o apêndice contém glândulas intestinais menores e menos numerosas e não possui tênias do cólon.

Apêndice normal em corte transversal

Apendicite aguda (estrela e seta representando parênquima alterado, desorganização de nódulos linfáticos e erosão da mucosa)

O principal agente causador da apendicite é a obstrução de seu lúmen, normalmente ocasionada pelo acúmulo de fecálito, porém este quadro também pode ser resultado de massas tumorais, corpos estranhos ou devido a uma hiperplasia linfoide. Após a obstrução do lúmen, há acúmulo de secreção, que eleva a pressão intraluminal e determina estímulo das fibras viscerais aferentes, entre T8 e T10, com consequente dor referida na região epigástrica ou periumbilical. Com o aumento da parede do órgão há uma queda na perfusão capilar, ocasionando isquemia e consequentemente diminuição do aporte energético. Com isso tem-se uma grande perda na proteção do epitélio, acompanhada de proliferação bacteriana, com penetração mural do processo infeccioso. Nesse momento a dor que antes era difusa e de difícil localização, migra para região do apêndice e se concentra.
  Caso não haja tratamento correto (procedimento cirúrgico) a doença evolui para perfuração do órgão e extensão infeciosa para os tecidos adjacentes. Nesta fase, frequentemente observamos íleo paralítico regional, podendo evoluir em alguns casos para obstrução intestinal. Outras complicações possíveis são a disseminação da infecção para a parede abdominal, obstrução ureteral, trombose venosa (sistema portal) e abscessos hepáticos.


Apendicite crônica e aguda:

  A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo de tratamento cirúrgico. É uma doença típica dos adolescentes e adultos jovens, e é incomum antes dos cinco e após os 50 anos. Apesar da apendicite crônica e aguda serem caracterizadas pela inflamação do apêndice, elas são diferentes. A diferença entre apendicite crônica e aguda é que a apendicite crônica afeta poucas pessoas, tem um ritmo lento de progressão e os sintomas são mais leves e a apendicite aguda é muito comum, tem um ritmo rápido de progressão e os sintomas são intensos.
Sinais, Sintomas e Diagnóstico
  A apresentação clínica clássica da apendicite aguda começa com um quadro de anorexia seguido de dor abdominal mal definida, eventualmente um desconforto, referida no mesogástrio ou na região periumbilical, consequência da mediação por fibras nervosas autônomas.


  A dor está presente em mais de 95% dos casos, e mais de 90% queixam-se de anorexia; 80% apresentam náuseas ou vômitos. À medida que aumenta a inflamação no apêndice, num processo que varia de 12 a 18 horas, a dor tende a se mover para baixo e à direita - local diretamente acima do apêndice, também chamado ponto de McBurney. Os vômitos, embora comumente encontrados, não costumam ser de grande intensidade ou repetidos, sendo comum um ou dois episódios no máximo. Na fase inicial, é rara a ocorrência de diarreia. A sequência dos sintomas costuma ser, na grande maioria dos casos (95%), anorexia - dor - náuseas/vômitos. A ausência de anorexia coloca em cheque o diagnóstico de apendicite.

  Quando o paciente se apresenta numa fase com quadros ainda não complicados, a dor já piora com a movimentação da parede abdominal, especialmente com a tosse, caracterizando o sinal de Dunphy. Ocorre febre baixa. A formação de abscesso periapendicular bloqueado ocorre em torno de 10% dos pacientes com apendicite.
  A ausculta abdominal deve ser realizada de forma sistemática, mas costuma ser normal nos casos iniciais e, somente nos casos avançados com peritonite difusa, vai estar diminuída ou ausente. Quando há formação de abscesso localizado, pode haver diminuição dos movimentos intestinais de forma localizada, fruto de um íleo segmentar na região do bloqueio; além disso, a ausculta pode estar até aumentada nos pacientes com quadros de diarreia irritativa provocada por coleção pélvica. Além do exame do abdome, no qual é preciso avaliar as características da dor, se começou alta e depois migrou para baixo no abdômen, e os dados obtidos na palpação do abdômen; o toque retal e vaginal são extremamente importantes. A grande frequência de processos inflamatórios pélvicos de origem anexial torna esse exame uma rotina obrigatória para orientação diagnóstica nas mulheres com suspeita de apendicite.
  Os exames laboratoriais também são úteis, já que pacientes com peritonite, encontrada em pessoas com a doença, costumam apresentar um número elevado de leucócitos no hemograma (leucocitose). Além disso, podem ser realizadas ultrassonografia e a tomografia computadorizada, sendo esta última a mais indicada em casos duvidosos ou com suspeitas de complicações.
Tratamento e Complicações:
  Apendicectomia de urgência (convencional ou laparoscópica) e drenagem de abcesso se necessário.  Deve-se fazer ressucitação volêmica no paciente de imediato, com atenção especial para os casos de perfuração com peritonite. A antibioticoterapia deve ser iniciada no pré-operatório e deve cobrir germes Gram negativos e anaeróbios.
  A perfuração que pode acontecer pode ser bloqueada, quando forma um abcesso periapendicular; o paciente pode estar oligossintomático com possível desconforto em FID. Ou a perfuração ocorre para o peritônio livre, causando uma peritonite generalizada com dor abdominal de grande intensidade e difusa com abdome em tábua, elevação de temperatura e pode evoluir para sepse. Outras complicações são: íleo paralítico, abcesso intraperitoneal, algumas vezes subdiafragmático, fístula estercoral, obstrução incisional, hérnia incisional, atelectasias, pileflebite e tromboflebite do sistema porta (são raras).

Referencias:
- REVISTA DE MEDICINA — MARÇO. 1942 5.A APENDICITE NA SÍNDROME DE ABDÔMEN AGUDO (*).DR. FRANCISCO CERRUTI-Livre-Docente dé Clínica Cirúrgica da Escola Paulista de Medicina.
-APENDICITE AGUDA: ACHADOS NA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA – ENSAIO ICONOGRÁFICO* Marcelo Eustáquio Montandon Júnior1, Cristiano Montandon1, Gustavo Ribeiro Fiori2, Carlos Alberto Ximenes Filho3, Fernanda Coelho Barbosa da Cruz4
- Histologia Básica 11Ed - Junqueira e Carneiro
-Instituto de ciências biomédicas da USP – MOL Biologia online
- http://labpath.blogspot.com.br/ 


Nenhum comentário:

Postar um comentário